domingo, 19 de outubro de 2008

Amor

SONETO LXXXVIII

Quando me tratas mau e, desprezado, Sinto que o meu valor
vês com desdém, Lutando contra mim, fico a teu lado E, inda perjuro, provo que
és um bem. Conhecendo melhor meus próprios erros, A te apoiar te ponho a par da
história De ocultas faltas, onde estou enfermo; Então, ao me perder, tens toda a
glória. Mas lucro também tiro desse ofício: Curvando sobre ti amor tamanho, Mal
que me faço me traz benefício, Pois o que ganhas duas vezes ganho. Assim é o meu
amor e a ti o reporto: Por ti todas as culpas eu suporto.

William Shakespeare -''o mestre''


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